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Resenha: Impostora, de RF Kuang

Sabe aquele emoji da cabeça explodindo? Imagine ele aqui [ 🤯] Mais ou menos assim. Assim mesmo que ficou minha cabeça à medida que a leitura avançava. Minha senhora RF Kuang, o que é isso? Essa foi minha primeira leitura da autora e que eu provavelmente jamais leria aleatoriamente, mas foi um livro escolhido pelo Clube do Livro. Ao ler a sinopse eu já fiquei intrigada, ele promete, e… entrega! Quer dizer, não tudo, mas entrega.

Meu sentimento ao ler o livro: realmente foi uma autora chinesa que escreveu isso? Porque as críticas ao povo sino-americano são tão contundentes e tão crueis que chega a doer, impossível não sentir empatia ou não se comover com isso. Pensa a capacidade dessa autora de escrever sobre si própria de forma tão cruel, que sanidade mental e que coragem! 

Mas, acredito que, acima de tudo, mais do que um livro que critica o preconceito, é um livro que critica o próprio modus operandi da indústria do livro, a corrupção nas editoras, o mercado voraz, os leitores impiedosos, a internet sanguinolenta. Tem uma frase da autora que (pra mim) resume todo o mercado editorial: “Best-seller são escolhidos. Nada do que você faz importa.”

É engraçado perceber o quanto isso faz sentido no mercado editorial brasileiro (mas não vou me alongar nisso, escreverei um artigo só sobre essa frase). Enfim, neste livro, Athena é a suprassumo cósmico do mercado editorial, vendendo direitos de livros, ganhando dinheiro, sendo um sucesso. Mas, um dia, ela morre engasgada. Acontece que quem está com ela neste momento é sua “melhor amiga”, ou não. June sempre invejou o sucesso da colega de faculdade e não perdeu a oportunidade de passar a mão no novo livro da amiguinha.

Depois de ler o manuscrito, June achou que muitas coisas ali poderiam melhorar e foi o que ela fez. Reescreveu parte do livro e mandou para uma editora que aceitou a publicação e bum! Sucesso. Só que nem tudo são flores, ela tem que enfrentar o fato de que está escrevendo um livro sobre o povo japonês, mas não é sino-americana. Por isso, enfrenta a ferocidade do público que a considera “sem lugar de fala” e começa a desconfiar dessa tal “amizade” dela com a escritora morta.

O livro é muito bom e seria ainda melhor se o fim não fosse tão ‘blé’. Eu construí tantas teorias e expectativas para esse fim, mas o que realmente acontece é bastante brochante. Acredito que a autora perdeu a oportunidade de fazer uma grande metalinguagem ali, com o livro sendo o produto do livro. Ou um grande plot-twist de Athena viva e testando a ética da “amiga”. Mas não… ainda que eu tenha entendido a crítica sobre “está todo mundo querendo ganhar em cima do outro e se dar bem a qualquer custo”, acho que daria pra fazer algo menos ‘blé’. Afinal, o que foi aquela cena da escada? (ranço..) Resumindo: tirando o fim, o livro é incrível!

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